A divulgação de um ranking de produtividade baseado no número de indicações parlamentares apresentadas em 2025 provocou um embate direto entre os vereadores Bruno Pérez e Thiago Reis, durante sessão da Câmara Municipal de Boa Vista.
O levantamento colocou Thiago Reis como o vereador que mais apresentou indicações no ano, com cerca de 5.888 propostas, e apontou que mais de 60% teriam sido atendidas. A repercussão desses números levou Bruno Pérez a se manifestar em plenário, afirmando que não poderia deixar de falar sobre o assunto, pois, segundo ele, isso não refletiria quem ele é como parlamentar.
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Bruno disse que ficou incomodado com a divulgação e afirmou que se sentiu colocado “no lado errado”, relatando que ele e outros vereadores passaram a ser cobrados pela população como se não estivessem trabalhando. Para ele, a comparação gerada pelo ranking é injusta e cria uma percepção distorcida do trabalho parlamentar.
“Se mais de 60% de quase 6 mil indicações foram atendidas, isso dá quase 4 mil. Então eu estou no lugar errado, estou na profissão errada, estou no cargo errado”, afirmou. Bruno destacou que apresentou menos de mil indicações e que cerca de metade foi atendida, questionando o critério utilizado para definir o que é considerado uma indicação atendida.
Durante sua fala, Bruno pediu que Thiago comprovasse quais indicações teriam sido efetivamente executadas. “Se você puder me provar quais foram essas indicações atendidas, porque eu não tive esse tanto de indicação atendida”, disse, afirmando ainda que ele e outros parlamentares foram cobrados por “não trabalharem tanto quanto o Thiago”.
Bruno também argumentou que a divulgação dos números faz parecer que apenas um vereador atua, enquanto os demais estariam inativos, citando o trabalho de outros parlamentares, secretarias e da própria Prefeitura, ressaltando que a gestão municipal não atende apenas um vereador.
Na resposta, Thiago Reis afirmou que os números divulgados são resultado de um levantamento feito por sua equipe, com base em demandas reais da população. Segundo ele, a maior parte das indicações está relacionada a problemas urbanos, como buracos, drenagem, meio-fio e recapeamento asfáltico em diversos bairros da capital.
Thiago citou como exemplo ações em avenidas como a Canuto Chaves e na região da São Sebastião, afirmando que muitas das indicações foram atendidas por meio de operações de tapa-buraco e recapeamento. Ele explicou que uma indicação é considerada atendida quando o pedido é executado, independentemente de quem levou o recurso ou se a obra já estava prevista.
O vereador negou ter pedido divulgação de ranking ou ter desmerecido colegas e reagiu dizendo que a crítica de Bruno soava como descontentamento pessoal. “Isso me parece mais inveja do trabalho que foi feito do que falta de reconhecimento”, declarou. Thiago afirmou ainda que cada vereador exerce sua atividade parlamentar da forma que considera correta.
Bruno voltou a rebater dizendo que, se o critério for contar buraco por buraco, ele também teria um percentual alto de indicações atendidas, mas que opta por não usar esse tipo de métrica. “Nem por isso eu usei isso”, afirmou, acrescentando que não se considera “engenheiro de obra pronta”.
O clima ficou tenso durante o debate, com troca direta de falas entre os parlamentares. Ao final da discussão, Bruno Pérez deixou o plenário antes do encerramento da sessão.








