
Um levantamento divulgado pelo portal UOL Notícias colocou a Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) no centro de um debate nacional sobre excessos no uso de cargos comissionados. De acordo com a análise da folha de pagamento, a Casa Legislativa gastou R$ 17 milhões em apenas um mês com servidores nomeados sem concurso público.
Os números chamam atenção não apenas pelo valor, mas pela proporção. Segundo o levantamento, a Assembleia possui 4.334 cargos comissionados para apenas 24 deputados estaduais, uma das maiores médias do país. Esses cargos representam aproximadamente 78% de toda a despesa salarial do Legislativo roraimense.
Perfis variados e funções questionadas
Entre os ocupantes dos cargos de confiança estão profissionais de áreas que não têm relação direta com a atividade legislativa, como árbitro da CBF, pastores evangélicos, dentista e designer de sobrancelhas. A reportagem aponta ainda que parte desses servidores mantém outras atividades durante o expediente oficial, o que levanta questionamentos sobre a real prestação de serviço.
O levantamento também identificou parentes de parlamentares, ex-candidatos derrotados em eleições e até beneficiários de programas sociais ocupando cargos comissionados dentro da estrutura da Assembleia.
Nepotismo e histórico de irregularidades
Outro ponto sensível revelado pela apuração é a presença de casos de nepotismo e até de servidores que já foram condenados por envolvimento em esquemas de “rachadinha”, prática ilegal que consiste na devolução de parte do salário ao parlamentar ou a terceiros.
Esses dados reacendem o debate sobre a fiscalização interna, os critérios de nomeação e a transparência na aplicação dos recursos públicos.
Resposta da Assembleia
Procurada pelo UOL, a Assembleia Legislativa de Roraima afirmou, em nota, que a estrutura de cargos comissionados segue a legalidade e que, após o contato da reportagem, foi aberta uma sindicância interna para apuração de possíveis irregularidades.
Apesar da justificativa, especialistas ouvidos na reportagem destacam que, mesmo quando legais, estruturas excessivas de cargos de confiança podem comprometer a eficiência administrativa e o uso responsável do dinheiro público.
Debate público
Os dados provocaram repercussão nas redes sociais e reacenderam cobranças por mais transparência, redução de gastos e valorização do concurso público como forma de acesso ao serviço público.
A reportagem segue acompanhando os desdobramentos e eventuais medidas adotadas pelos órgãos de controle.
Fonte: Levantamento baseado em reportagem do UOL Notícias, assinada pela jornalista Julia Affonso.







