O cenário do Senado em Roraima começa a se desenhar cercado de movimentos políticos, desistências, fragilidades partidárias e incertezas judiciais. Um dos primeiros fatos que mexeram no tabuleiro foi a saída de Mecias de Jesus da disputa: ele renunciou ao mandato de senador para assumir uma vaga vitalícia no Tribunal de Contas de Roraima, o que esvaziou de vez a possibilidade de candidatura dele ao Senado em 2026 e reorganizou o bloco político que orbitava seu nome.
A deputada Helena Lima, conhecida como Helena da Asatur, voltou ao noticiário em abril de 2026 com uma atualização importante do caso que ameaça seu futuro político: o TRE-RR marcou o julgamento do recurso contra a decisão de primeira instância que a declarou inelegível. Ou seja, o fato mais recente não é uma nova sentença, mas o avanço do processo para análise do recurso. Até aqui, ela segue vinculada a uma decisão que a tornou inelegível em ação ligada a suposto esquema de compra de votos, mas o desfecho final ainda depende das instâncias seguintes. Ao mesmo tempo, o problema de Helena não é apenas jurídico: no plano político, ela também chega fragilizada porque não conseguiu consolidar uma chapa para deputado federal. Como presidente do partido, entra nesse momento praticamente sozinha, sem estrutura partidária robusta ao redor do próprio projeto.
No centro desse tabuleiro está Antonio Denarium, que se movimenta como pré-candidato ao Senado, mas carrega uma ameaça real sobre a própria elegibilidade. O julgamento no Tribunal Superior Eleitoral já avançou e, até o momento, o placar está em três votos pela inelegibilidade de Denarium, dentro de um total de sete votos previstos. No caso que também atinge Edilson Damião, o julgamento ainda não foi concluído, mas os votos já começaram a ser proferidos e o processo segue aberto, com forte pressão política e jurídica sobre o grupo. No caso de Denarium, portanto, já não se trata apenas de um risco abstrato: há andamento concreto no TSE e um placar parcial desfavorável, o que coloca sua tentativa de disputar o Senado sob ameaça direta.
Outro nome que segue no radar é Chico Rodrigues, que indicou disposição para disputar a reeleição, mas continua carregando o peso político do episódio que o afastou do cargo por 121 dias. O caso do dinheiro encontrado na cueca, durante investigação sobre verbas da Covid-19 em Roraima, segue como a marca pública mais desgastante de sua trajetória recente e voltou ao debate no momento em que o senador falou sobre futuro político e tentativa de permanecer no Senado. Mas há um agravante político importante nesse momento: o PSB não montou chapa nem para deputado federal nem para deputado estadual, o que enfraquece de forma expressiva o entorno da eventual candidatura de Chico. Ou seja, além do desgaste público acumulado, ele também enfrenta um cenário partidário esvaziado, sem base proporcional estruturada para sustentar melhor seu projeto eleitoral.
Já Teresa Surita entra na disputa como nome competitivo e com pré-candidatura ao Senado já anunciada, mas o entorno político dela também passou a conviver com ruídos mais concretos na montagem partidária. Embora siga como um dos nomes mais fortes da oposição e mantenha o discurso de unidade com aliados como Arthur Henrique, o grupo de Romero Jucá conseguiu organizar melhor a chapa para deputado estadual do que a de deputado federal, que chegou ao fim desse ciclo bastante esvaziada. Isso significa que, embora Teresa entre na corrida com força política e recall eleitoral, o grupo que a cerca também revela limitações práticas de organização e capilaridade, especialmente no plano federal.
No fim das contas, o eleitor roraimense começa a olhar para uma disputa em que quase nenhum nome entra sem peso, ruído ou instabilidade. Mecias saiu de cena, Helena volta ao noticiário com o recurso contra a decisão que a declarou inelegível e ainda enfrenta isolamento partidário, Denarium já vê o julgamento andar no TSE com três votos pela sua inelegibilidade, Chico tenta sobreviver politicamente mesmo sem o PSB ter montado chapa para estadual ou federal, e Teresa entra na corrida com força, mas cercada por um grupo que só conseguiu se organizar melhor na chapa estadual, enquanto a federal foi esvaziada.
Mais do que saber quem quer ser candidato, a pergunta que fica para a população é: quem realmente chegará competitivo, estável e com estrutura suficiente para sustentar a própria candidatura até o fim?








